Tava na cara (só faltava uma pesquisa)
Olha só o que encontrei no blog da Ana Brambilla. Uma pesquisa da Atributor, que monitora o conteúdo online, apontou que os conteúdos jornalísticos têm 140% mais audiência fora dos portais. Ou seja, que a moda da galera em passar links de notícias via MSN ou em sites como o Orkut traz mais leitura do que a obtida por visitantes que vão espontaneamente até a página principal do site de notícias.
Já tinha conversado com muita gente a esse respeito. A ficha já tinha caído. Só faltava uma pesquisa como essa. No início do mês, por exemplo, conversei com o diretor de internet do jornal Le Monde, Jean François Fogel. Ele me disse justamente isso, que as empresas de mídia têm de liberar os seus conteúdos para trafegarem na rede, para que cheguem às pessoas de forma “social”. A mesma coisa já havia me dito o editor de blogs da BBC, Giles Wilson, e o diretor de internet do The New York Times, Marc Frons.
Esses 140%, pelo que tenho acompanhado, se justificam principalmente pelos jovens. Muito se diz que eles não se informam, não se interessam por notícias. Mas parece que não é bem assim. A própria pesquisa da Atributor dá essa pista. Só quem em vez de abrirem o jornal ou acessarem o portal, eles confiam muito mais em um amigo que indica um link, seja no MSN, no Orkut ou no blog.
Num mundo em que a internet está tão repleta de informações, como achar o que é realmente relevante? Não é mais fácil confiar em um amigo? Lógico. Olha que não estou falando de jornalismo cidadão. Essa é outra questão. O jornalismo tradicional, em que se apura corrupção e investiga as autoridades, ainda é muito importante.
Vocês já contaram quantos portais de notícias tornam fáceis a vida de quem quer compartilhar uma notícia? Já tentou enviar um link pelo UOL ou pelo IG? Pois é, não dá. O máximo possível é enviar pelo ultrapassado e-mail. Seria bom que os portais abrissem os olhos. Já vi casos em que processaram blogueiros por republicar uma matéria. E o blog trazia um link, que poderia trazer visitas e acessos.
Ou seja, hoje, a audiência externa é 140% maior do que nos portais. Se esses sites facilitassem, esse número poderia ser muito maior, além de estreitar os laços com um novo público, que até enxerga a importância de uma grande marca de notícias, mas não vai mais até ela. O risco é de se perder esse link. E de aparecerem novas marcas de notícias que cresçam e cubram esse vazio.