Depois de tentar uma entrevista por anos com o homem, finalmente havia chegado a hora. Há três semanas, desembarquei no Rio para conversar com o ministro da Cultura, compositor e cantor Gilberto Gil. A pauta era um retrospecto na vida hi-tech de Gil, que lançou na semana passada seu CD Banda Larga Cordel, um “manifesto à democratização da internet”, segundo ele mesmo me disse.
Desde 1969, com a música Cérebro Eletrônico, Gil já dizia que o “cérebro eletrônico faz tudo, faz quase tudo, mas ele é mudo”. Em 1974, questionava “o que vão fazer com as novas invenções”. Em 1991, por conta das comunicações via satélite, constatou que “antes o mundo era pequeno, porque a Terra era grande. Hoje o mundo é muito grande, porque a Terra é pequena”. Já em 1996, lançou a música “Pela Internet”, que era cheia de termos internéticos como “gigabytes”, “infomaré” e “homepage”.
No ministério, Gil se tornou uma espécie de garoto-propaganda e ativista do governo para assuntos tecnológicos. Em 2005, fez dueto com o famoso ativista de software livre Richard Stallman em evento da ONU. Gil ficou ao violão enquanto Stallman desafinava: “Junte-se a nós e compartilhe o software. Você será livre. Você será hacker”.
Na Campus Party deste ano, o ministro acompanhou o instrumento digital ReacTable com falsetes de “u-hu” e roubou a cena do robô que abriria a megafesta nerd ao falar as palavras “conteúdo livre”. Já em 2004, foi ovacionado no Fórum de Software Livre, em Porto Alegre, ao cantar a canção “Oslodum”, que disponibilizou sob a licença Creative Commons.
No governo, ele dedende de tudo: do status de cultura aos games a maior liberdade nos direitos autorais.
Entrevistei o Gil em sua produtora, a GG, que fica na Gávea. Logo ao chegar, já encontro o Gil no celular. A entrevista, inclusive, atrasou: o pessoal do Ministério da Cultura liga a toda hora. O bate-papo durou cerca de 40 minutos (o tempo era contado e não pude nem dar tempo para o Gil respirar direito). Gil fala com calma, como se medisse cada palavra. Mas quando se empolga com algum tema, desata a falar e a divagar.
Publiquei a entrevista editada no caderno Link do dia 16. A seguir a transcrição completa, com trechos bem interessantes, mas que não saíram por culpa dos limites de espaço do papel. Gil conta que joga “Guitar Hero”, que é a favor de liberdades para download de música, mas que não vê sentido em liberar toda a sua obra e que o disco ainda vai demorar uns 20 anos para desaparecer, motivo pelo qual ainda lançou um CD. É a entrevista que estréia oficialmente este blog:
PS: Raparem que, por mais que tentasse, não conseguia de jeito maneira chamar o ministro por “senhor”. Será que quebrei o protocolo? rs.
Gil, como começou essa sua relação com a tecnologia? Eu tenho fascínio por esse mundo das tecnologias que substituem processos humanos já automatizados que já podem ficar sobre encargo das máquinas. Eu gosto das máquinas. Adoro as máquinas.
Qual é a máquina mais sensacional na sua opinião? Para mim é o avião. Ainda hoje. Para mim o avião é o símbolo da grande máquina é… máquina de voar…
Você usa muito a internet, tem iPod, câmera digital, está no Orkut…? Eu uso pouco. Sou um usuário moderado da internet. Eu uso para visitas a sites, consultas, jornais variados do mundo inteiro, blogs eu raramente visito, conheço alguns mas não sou freqüentador. Uso muito para correio, e-mail.
iPod, câmera digital, nada disso você usa? Não, não.
Celular é direto? Celular eu uso. A bateria acaba todo dia.
Como é que você se mantém atualizado sobre o que acontece nesse mundo da tecnologia. Eu sei que você tem muito contato com Cláudio Prado, Hermano Viana, Ronaldo Lemos… O fato de que eu fui manifestando interesse por essas coisas e esse interesse e essas manifestações de interesse foram se concretizando em atos, atitudes, em parcerias, as pessoas foram se habituando a me referir como alguém que é interessado nessas coisas. Sou muito procurado ultimamente aqui no Brasil, fora do Brasil. Agora recentemente o Google me convidou a participar de um grande evento.
E eles vão contando o que está acontecendo? Vou para esses lugares e eu fico sabendo o que as pessoas estão fazendo. Aqui no Brasil, na Califórnia, na Europa, em todo o canto eu fico sabendo.
Isso veio depois do Ministério ou sempre foi assim? Já vinha um pouco antes, já tinha feito a música Pela Internet há 12 anos atrás. Já vinha manifestando esse gosto, entusiasmo pelas novas tecnologias da informática.
Mas tem algum amigo ou filho que toda hora chega para você e diz: ‘Ah, isso é novo’? Os meus dois filhos são muito ligados. O Bem é muito ligado a todas essas coisas. Ele sabe de tudo, é bem atualizado sobre todos os gadgets e todos esses novos aplicativos. Ele tá enfronhado nisso. O José também, meu filho mais novo. O José tem 17. Isabela, a minha filha mais nova, também. Vão me falando, vão me contando. Flora também, a minha mulher é muito atualizada. É em casa e gente do mundo inteiro.
Chegando às questões que você discute mais. A questão dos direitos autorais é um dos assuntos que você mais defende. Se olhar no mundo todo essa questão ainda não está resolvida e a maioria dos países ainda criminaliza quem baixa filmes e música. Quando é que você acha que isso será resolvido? Tem solução? Tende a ser resolvido. A inclusão de camadas cada vez mais consideráveis da sociedade no mundo da criminalidade nesse campo é uma coisa que já começa a ser incômodo para todo mundo. Para a própria indústria. Tanto é que você vê a própria indústria fazer gestos no sentido da flexibilidade, de maior liberalidade. Por exemplo, as gravadoras, muitas delas, as grandes, como a EMI, por exemplo, começam agora a liberar arquivos de música sem DRM.
Mas é um começo, não é a liberalização. É um começo, são começos por aí. A intensificação do uso justo, do fair use, que é a possibilidade de usos de fragmentos de obras de música e literatura, também para usos compartilhados. A disposição cada vez maior do número de artistas disponibilizando para compartilhamento as suas obras. O sucesso das autorizações das licenças Creative Commons, que já estão chegando a quase 200 milhões.
Mas e a lei de direitos autorais, incluindo o Brasil, vai mudar um dia? Precisa mudar. Nós por exemplo, no âmbito do Ministério, que é quem tem competência para fazer a política, de passar a política de direitos autorais no País, vamos propor agora em agosto a reforma da lei.
Como serão essas modificações? Será liberar geral? Não. São regulações. Liberar geral não existe, ao contrário. É preciso que haja leis, que haja regras, enfim, que haja leis e regras para estabelecer o consenso da sociedade no sentido do que é permitido, do que não é permitido.
Mas baixar música é ilegal? (Pausa) Eu acho que há vários aspectos nisso. A agilidade dos meios eletrônicos, digitais, do cyberespace, torna quase impossível você impedir downloads e coisas do tipo. O que a indústria tem feito, quer dizer, os interesses econômicos a serem defendidos têm proposto, é o híbrido, onde você tem reservas comerciais, onde os direitos de exploração comercial são garantidos e preservados e ao mesmo tempo em que certas liberdades começam a ser dadas.
Por exemplo, para modificar. Sim. E mesmo para downloads. Se uma grande gravadora como a EMI, disponibiliza sem DRM uma quantidade enorme de músicas, os downloads aumentam. Você compra mas passa de graça para outro.
Você baixa de graça música? Não. Os meus filhos fazem isso.
Mas faria ou é falta de hábito? É falta de hábito.
Mas não tem nada contra? Não.
E se alguém baixasse um trabalho seu, você processaria? Não creio que eu me dispusesse a tanto… risos.
Você disse que tem que mudar a lei. Há a licença Creative Commons, da qual o senhor é um dos defensores. É uma solução ou um paliativo para esse cenário? Tudo é paliativo. Não há soluções definitivas para nada. Os processos vão se adiantando. Porque quando você resolve, você encontra uma solução para um determinada coisa, aquilo já criou vários outros problemas, ou outros problemas já foram criados por outras coisas que já demandam outras soluções. Não há um momento em que tudo esteja resolvido.
A lei de direitos autorais, por exemplo, é desatualizada. Ela é desatualizada. Tentou-se uma atualização. Tinha uma lei de 1962, depois em 1998, se não me engano, fizeram uma atualização, mas ela já está desatualizada, tem várias coisas que não contempla, não abrange. Precisa atualizar de novo. Estamos propondo uma atualização agora.
Você quando lançou o seu disco, o Banda Larga Cordel, em entrevista coletiva, disse que liberar as suas músicas, mas não queria se embededar… Não acho que tem que liberar tudo. Algumas vão sendo liberadas para usos não comerciais, compartilhamentos, recombinações.
Por que não todas? Até para saber até que ponto essas coisas importam a muitos. A quem vai interessar, por exemplo, utilizar músicas minhas para recombinações… É preciso saber. Você libera algumas para saber como aquilo funciona.
Mas dependendo da licença poderia liberar para download total e legal. Isso não interessa? (Pausa) Pode vir a interessar em alguns casos, não em outros. Não é uma coisa que interesse extensivamente a todo o conjunto da minha obra. Num disco por exemplo como esse agora, algumas músicas, como são muito rítmicas, associadas a máquinas rítimicas, podem ter interesse para DJ, para jovens que estão começando a experimentar.
Banda Larga Cordel pode ser uma dessas? Essa é uma das músicas que interessa liberar um pouco mais para usos recombinações. Para ver o que fazem com a música, que interesse ela desperta, que resultados esse compartilhamento, essas recombinações vão dar.
Uma das novidades do seu Ministério foi encarar o game como cultura. Por que o game é uma cultura? Porque é cultura. Primeiro é uma forma de expressão, uma manifestação difundida, muito difundida entre jovens e é uma fonte de criação. Hoje a fantasia, a capacidade de narrativas variadas, sobre vários temas, a capacidade de uma manifestação teatral muito forte, manifestação da capacidade de desenho de forma muito forte, a capacidade da manifestação de animação, das técnicas de animação.
Com qualidade comparável ao do cinema. Sim, como cinema. Vários campos, o teatro, o desenho, a fotografia, o cinema, tudo isso se une no jogo e o entretenimento.
Você já jogou? Eu jogo, um pouquinho, de vez em quando, esse jogo da música.
O Guitar Hero? É do Guitar Hero. Meu filho José faz isso. De vez em quando ele me põe a guitarra na mão.
Que música o sr. mais gosta? Uma simples. Eu não escolho. É o José que joga e de vez em quando em jogo com ele.
Passa um tempão? Não, eu fico uns 10, 15 minutos.
E saber tocar guitarra ajuda? Sem dúvida alguma. Mais ainda: aquilo também ajuda você a saber tocar mais guitarra (risos). O Lulu Santos joga muito.
Quem é melhor, seu filho ou você? Ele é dez vezes melhor. Não tenho pretensão de me tornar um especialista.
Outro ponto que o senhor defende é a colaboração em rede. Os pontos de cultura já é um pouco disso. Que tipo de arte essa colaboração em rede pode criar? Todas as artes, desde o teatro, cinema, música, todas elas podem se beneficiar do campartilhamento em rede. Por exemplo, em Hollywood, os efeitos especiais trabalham com código aberto, software livre, para aproveitar a contribuição de gente do mundo inteiro para o aperfeiçoamento dos efeitos, gente pensando no mundo inteiro.
Na arte alguma coisa te chama a atenção colaborativa? Música, tem tanta gente fazendo música compartilhada na internet. Não tenho muito tempo para ver. Não tenho iPod. Possivelmente eu vou querer ter um. Flora tem dito que vai me dar um. Vai ter um momento em que eu vou gostar de ter armazenado em uma caixinha um montante de músicas. Meus filhos tem, todos tem iPod. De vez em quando tem sido útil, às vezes eu quero ouvir.
Falando em colaboração, a “sabedoria” da rede, o Wikipedia, o que você acha disso? Acho importantíssimo. Inclusive essa coisa dos wikis que as pessoas vão colocando significados cada vez maiores, às vezes contraditórios, enganosos.
Já teve a curiosidade de olhar “Gilberto Gil” no Wikipedia? Não. Mas meu pessoal vai muito. Eu tenho agora um canal especial no YouTube. Quando eu deixar o Ministério, eu vou ter mais tempo.
Essa coisa de internet, YouTube, você disse que escuta muito os seus filhos. Mas na hora de decidir, é você quem decide? Ah, sim, independente de usuário, como artista e como criador, eu tenho outro tipo de uso que a internet proporciona. Eu tenho um site, um canal especial, é muito importante para veicular o meu trabalho, as minhas idéias, o meu discurso…
Na sua última turnê, você colocou filmem, gravem e coloquem onde quiser. Isso é algum manifesto político? Sim, isso quer dizer, é preciso difundir as tecnologias, popularizá-las, democratizá-las. É preciso discuti-las, politizá-las, discutir que benefícios elas prestam, que benefícios elas não prestam, para que elas servem, para que não servem. Isso tudo é preciso ser discutido e mais ainda é preciso democratizar, que o domínio dessas técnicas saia das mãos de um pequeno grupo, de uma elite, e se popularize mesmo. Isso tem que ser para um número cada vez maior de pessoas. Isso quer dizer, acesso, defender o acesso universal.
Os governos sabem disso? Tão começando a saber. Tão começando a ter políticas para isso, a ter políticas que estimulem os investimentos privados nesse setor, junto com investimentos públicos, a começando a ter a política de banda larga, uma idéia defendida por todo mundo e praticada por todo mundo, governos municipais, estaduais, o próprio governo federal.
Essas suas idéias no governo, não te vêem lá como um estranho no ninho? Já não. No começo talvez um pouco. O mininistério da Ciência e Tecnologia, o das Comunicações, o da Educação já estão com políticas nessa área. O próprio Lula tem hoje uma assessoria ligada ao gabinete para questões de cultura digital, inclusão digital.
Você acha que foi um dos responsáveis por isso? Um pouco.
O que faz um ministro da cultura e um compositor de sucesso ser defensor do software livre? Software é cultura. Evidente. Um dos meios de concentração de conhecimento e de linguagem, de difusão de linguagem, as várias plataformas que abrigam possibilidades enormes de comunicação, tudo isso é cultura.
Mesmo que seja um grupo de pessoas que se junta para fazer um editor de textos, isso é cultura? Claro.
Nesses 5,5 anos de ministério que políticas na área de tecnologia o Minc já fez? O que já vingou? A distribuição de kits digitais para os pontos de cultura, que possibilita a entrada deles em rede, depois o uso de máquinas de gravação e de filmagem para eles documentarem o que quiserem documentar, e ter a capacidade de postar, de trabalhar em rede. Esse é um programa que tem dado certo.
Colocar a cultura digital, mudar a lei de direitos autorais, é uma coisa que demora? Demora, mas precisam ser feitas. A lei de direitos autorais nós vamos propor agora. O Brasil, por exemplo, não adota a lei de fair use, uso justo, já os EUA e a Europa adotam. Aqui precisa se adotar. Fragmentos de textos podem ser usados, reproduzidos, recombinados. Tem a questão das cópias privadas para livros, música, tudo isso a lei brasileira precisa contemplar, precisa ser reformada.
Com relação a seu disco novo, porque chamá-lo de Banda Larga Cordel e lançá-lo primeiro na rede? É um manifesto político também. É dizer: eu sou a favor de que essas coisas se difundam, se espalhem, tenham um alcance democrático. E eu quero ser porta voz desse sentimento através da minha voz. E é por isso que o disco tem o nome de banda larga, a canção fala disso.
Inclusive, eu escutando a música, tem ações do governo em palavras como Piraí, Infovia… Todas essas experiências. Tá tudo manifestado ali. Esse interesse nosso de manifestar essas questões.
É o artista Gil politizado por causa do governo? Também. Sempre fui politizado, mas sem dúvida estou muito estimulado pela função ministerial.
Você sempre tratou de tecnologia nas suas músicas. É inquietação? É um gosto que eu tenho por essa coisa. Eu acho que a tecnologia é uma extensão do homem. Tudo aquilo que o homem já pode transferir para a máquina ele transfere. Criando com isso mais tempo livre para novas fantasias, novas expansões da inteligência. Então, a técnica é isso. A máquina por mais difícil, condicionadora, que possa ser em alguns aspectos da vida do homem, é libertadora. Tudo aquilo que já pode ser repetido pela máquina, que não precisa mais do ser humano é colocado na técnica, é colocado na máquina. Aí o homem se libera para outras coisas, para filosofar, para pensar no pensamento religioso, filosófico, no pensamento afetivo. Para todas essas outras dimensões. A máquina é uma extensão adequada do homem. A questão é essa, fazer a máquina cada vez mais adequada, fazer mais de acordo com desejos consensuais, democráticos.
Gil, eu peguei um verso de uma música sua antiga, Queremos Saber (1971), em que você questiona o que “vamos fazer com as novas invenções” e comparando com Banda Larga Cordel (2007), que diz “Banda larga democratizada ou não adianta nada”. O que mudou nesse tempo? A sociedade, primeiro com os desejos cada vez mais intensificados de transferir para a máquina parcelas importantes do fazer humano. Isso tem feito com que as tecnologias sejam cada vez mais importantes. Depois o próprio interesse capitalista, industrial, comercial em relação às tecnologias. Elas promovem lucros importantes, promovem renda, etc. A tecnologia está mais assimilada também. As pessoas entendem mais as máquinas como uma extensão de si próprios. Os carros são uma extensão da perna. O computador é uma extensão da mente.
Voltando à música, a Indústria fonográfica hoje está em crise… É porque tem que se virar uma outra indústria, em vez de ser uma indústria fonográfica ela vai ser um outro tipo de insústria.
Um agenciador de artistas? Um agenciador de artistas, um agenciador de acesso a arquivos, vai ser distribuidor, vai ser uma série de outras coisas. Já estão migrando. Porque o disco vai desaparecer.
Mas você lançou disco ainda. Vai desaparecer ao longo dos próximos 20 anos, quando todos tiverem computador, quando as televisões todas forem terminais de convergência tecnológica múltipla, quando os celulares forem terminais também de coisas tecnológicas. Enfim, coisas baratas um celular hoje é barato. Você está chegando a cento e tantos milhões de celulares no Brasil. No mundo inteiro já são alguns bilhões de celulares. Isso vai fazer com que as pessoas admitam.
Você disse no MIT que o celular hoje é um objeto de fetiche mas pode ser tornar um objeto de ativismo para as pessoas. Como? No sentido de que quase todo mundo tem. No sentido de que quase todo mundo pode usar. Veja na campanha eleitoral dos EUA hoje. A quantidade de postagens, de clipes no YouTube.
Gil, você se vê sendo a sua própria gravadora, lançando o seu próprio disco independente no futuro? Não sei. Depende de quanto eu queira assumir de responsabilidade em termos de divulgação e promoção do disco. Agora mesmo eu dei o meu disco para a Warner distribuir. Eu mesmo não quero fazer isso. É uma coisa custosa, demanda uma estrutura. Posso terceirizar. As gravadoras vão fazer isso. Elas vendiam os seus próprios discos agora vão vender os dos artistas. Não mais seus próprios discos.
Mas no futuro a música vai ter algum valor comercial? Com show o artista ganha. Mas na música, todo mundo baixa. As pessoas vão querer pagar para ter isso se todo mundo pode ter de graça? Vão. Até porque várias marcas comerciais e industriais vão querer ter seus processos de marketing feito através da música. A Pepsi, por exemplo, está dando música de graça, associando a sua marca e oferecendo uma quantidade de downloads gratuitos para as pessoas. Outras marcas estão fazendo isso também. Ou seja, compra a música e dá de graça para o público. É uma das formas futuras. A Coca-cola, por exemplo, ou quaisquer outras marcas, oferecem um milhão de downloads (risos) e aí um baixa e vai passando para o outro.
Para o artista ainda é importante ganhar com música hoje? É isso o que estou dizendo. Se uma marca qualquer, de automóvel, de banco, refrigerante, compra um milhão de downloads, paga os direitos, paga os artistas, os produtores, então fica de graça para o público. É uma forma. Há muitos modelos alternativos de negócios onde a lucratividade vai continuar garantida.
O Banda Larga Cordel vai ser vendido agora. Vai ser vendido por downloads. Não chegou ao ponto de ser de graça, não é gratuito, mas já é barato. Vou vender cada música a R$ 1, R$ 1 e pouco. Vamos vender a preços mais baratos.
Você vê outros artistas grandes como Caetano, Chico Buarque registrando músicas em Creatrive Commons ou ainda há uma reticência com relação a isso? Ainda tem. São experimentos que estão sendo feitos agora. Ninguém sabe como isso vai funcionar. São coisas que ainda estão sendo absorvidas pelas novas gerações.
Sérgio Amadeu se refere a você como um “ministro hacker”. Ele já comentou isso com você? O que acha? Sim. Acho bom. Ótimo. Quem são os hackers? São os propiciadores de viabilizações, viabilizam possibilidades novas, através de técnicas e tecnologias. E eu exatamente me vejo como um hacker. Um ministro hacker. Um cantor hacker.
Você se acha deslumbrado com a tecnologia? Eu gosto de ser as duas coisas. Eu gosto de ser deslumbrado. Você tem de ter. O deslumbramento é o que lhe permite arrojo, aventura, arranque, conquistas novas. E ao mesmo pé no chão para que tudo aquilo permaça possível para todos.
Até se você pegar “queremos saber o que vão fazer com as novas invenções” é uma coisa meio crítica, né? É interrogativa, a gente tem que continuar permanentemente sabendo o que é que se vai fazer dessas novas coisas.
Quando você sai do ministério. Já está fechada uma data? Ainda não. Não tem data prevista ainda não.
Mas é neste ano? Não é neste ano não.
Quando fará show em São Paulo? Estarei em turnê na Europa até o final de julho. Farei show em São Paulo só na volta, em agosto, setembro ou outubro
Sim, olha a foto aí em cima… É o Orkut, o criador da rede social, com seu terninho super-discreto à la sinalizador noturno, e o seu namorado Derek Holbrrok (com um terno mais básico). A garota do meio é a executiva do Google Marissa Mayer, amiga do Orkut.
Na semana passada, os dois (os rapazes, nada de menage à trois, pervertidos!) ficaram noivos… Vai dar casório? Nada foi dito por enquanto. Mas o casamento entre homossexuais está liberado na Califórnia, nos EUA.
Eu já tinha as minhas desconfianças de que o criador do onipresente Orkut era do metiê. Dá uma sacada nas fotos do tempo em que ele estudava na universidade de Standford (http://www.stanford.edu/~orkut/photos.html). Tem fotos dele na parada gay de San Francisco, sentado em uma Hello Kitty inflável, na banheira coberto por folhas (não estou brincando, vejam com seus próprios olhos). Mas entrevistei o cara no ano passado e ele não me pareceu muito afetado não..
Bem, não sou homofóbico… Longe de mim… Felicidades aos pombinhos….
Ah, o primeiro post oficial ainda não é este. Continuem aguardando…rs
Bom, aqui vai mais uma tentativa de manter um blog… Sei, eu sou muito preguiçoso… Sou jornalista, escrevo já no trampo e fico com uma puta preguiça de postar, mas sinto necessidade de ter a instantaneidade da web e de tocar um projeto “meu”, sem problemas de espaço na página do jornal, discutir pauta com o editor, etc… Enfim, um espaço paralelo para publicar o que me der na telha… Já tentei manter blogs, mas o projeto fracassava no meio do caminho porque, acho, me propunha a idéias muito grandiosas, que me tomariam muito tempo… Aí acabava desencanando.
Aqui não tem nenhuma idéia gigantesca. Sobre o que vai ser? Sei lá… Sou jornalista e escrevo na área de tecnologia. Então, acredito que vai ter uns pitacos, notícias, sobras de minhas matérias, etc. Mas não quero me limitar. Vou descobrindo com o tempo no que isso aqui vai dar.
Pretendo fazer mais à noite o meu primeiro post “oficial” mesmo. Aguardem…


